No dia 22 de março celebramos o Dia Mundial da Água, data criada pela Organização das Nações Unidas (ONU), no começo da década de 1990, na esteira da Agenda 21. O objetivo na ocasião era promover a conscientização pública sobre a conservação dos recursos hídricos a partir das recomendações propostas pela agenda.
De lá para cá, evoluímos consideravelmente em termos de gestão da água, mas o aumento paulatino da demanda global, somado aos eventos extremos da mudança do clima, torna mais urgente a tomada de ações fora da caixa.
Nesse sentido, o setor de árvores cultivadas para fins industriais e de restauração desponta como bom exemplo. Trata-se de um segmento referência mundial em bioeconomia em larga escala por oferecer bioprodutos feitos a partir de matérias-primas renováveis e manejadas de forma sustentável. O setor planta árvores para fins comerciais em 10,5 milhões de hectares e conserva outros 7 milhões de hectares de vegetação nativa. Essas áreas são fundamentais para conservação da água, pois protegem as nascentes, mantêm o solo saudável e regulam a disponibilidade hídrica.
A IBÁ celebra o Dia da Água lançando o infográfico “Cuidar da Água é Cuidar do Futuro: gestão hídrica no setor de árvores cultivadas”. A publicação apresenta de forma ilustrativa e didática as ações do setor em prol da conservação dos recursos hídricos em nível corporativo, nas florestas e na indústria. Os indicadores de desempenho presentes no documento, referentes ao ano de 2025, mostram ainda a evolução do setor dentro de compromissos assumidos na primeira edição do infográfico, lançada em 2021.
O material é resultado de um monitoramento que abrange dados coletados com parte das empresas associadas da Ibá anualmente desde 2016. As empresas respondentes representam fatia relevante da área de plantios comerciais do Brasil, da produção de celulose e papel e da produção de pisos e painéis.
“Cuidar da Água é Cuidar do Futuro: Gestão hídrica no setor de árvores cultivadas” mostra como o uso da água em plantios florestais e em florestas nativas são semelhantes quando adotadas boas práticas de manejo, como planejamento das paisagens, monitoramento de longo prazo, conservação e restauração da cobertura vegetal. Isso faz do setor de árvores cultivadas aliado estratégico na conservação dos recursos hídricos e no enfrentamento às mudanças climáticas.
O infográfico explica como as unidades florestais adotam o plantio em mosaico, integrando áreas de conservação com áreas produtivas de diferentes idades e clones em nível de paisagem. Essa estratégia suaviza variações na vazão dos rios, ajuda a equilibrar o uso da água e a estabilizar o fluxo hídrico na paisagem.
Também faz parte das boas práticas o monitoramento quantitativo, que permite às empresas entenderem como o uso da água pelas árvores e as práticas de manejo se relacionam com a disponibilidade e a qualidade deste recurso na bacia, auxiliando na tomada de decisões mais sustentáveis. Há, ainda, os programas de restauração de nascentes e demais Áreas de Preservação Permanente (APPs), adotados pela maior parte das unidades florestais.
A publicação esmiúça o uso da água em processos fabris, explicando práticas fundamentais como a recirculação e reuso, e demonstrando que, apesar de o setor ser um grande usuário de água, devolve uma quantidade majoritária para o ambiente como efluente tratado ou vapor.
Em termos corporativos, o infográfico mostra como a atuação das empresas se estrutura na escuta ativa, na pesquisa, na inovação e em uma governança robusta. Isso acontece a partir de parcerias para pesquisas relacionadas à água e estabelecimento de metas atreladas aos recursos hídricos. A adesão a esses compromissos mais que triplicou desde 2016.
O cuidado com os recursos hídricos passa por governança, planejamento e ação no território. Setores produtivos organizados podem contribuir de forma decisiva, reduzindo uso, inovando processos e investindo em manejo responsável para manter o equilíbrio das fontes hídricas.



