Papelão ondulado: mercado resiliente à frente

O mercado brasileiro de papelão ondulado entra no biênio 2026-2027 enfrentando um cenário de desafios geopolíticos e comerciais, mas sustentado por uma base estrutural resiliente. A imposição de tarifas de até 50% pelos Estados Unidos sobre exportações brasileiras em 2025 gerou impactos indiretos relevantes, especialmente no setor de proteínas animais – responsável por cerca de 30% a 35% do consumo de caixas de papelão ondulado no País. Mesmo diante de choques como a gripe aviária e a desaceleração econômica em 2025, a demanda por embalagens ligadas à cadeia alimentar se manteve firme, refletindo a natureza essencial desses produtos.

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Segundo os dados da Empapel e projeções da Fastmarkets, a expedição de caixas, chapas e produtos de papelão ondulado no Brasil deverá crescer 0,88% em 2025 e, preliminarmente, algo entre 1,8% e 3,5% em 2026, a depender de como a performance do setor e a taxa de câmbio no País se comportarem até o final de 2025. Para o próximo ano, espera-se que a exportação de proteínas animais do Brasil cresça entre 4,5% e 5,5% em relação a 2024, suportando o consumo setorial de papelão.

Esse crescimento é sustentado pela exportação de carnes, frutas e alimentos processados, segmentos que mantêm o papel ondulado como custo necessário e não opcional. A capacidade de redirecionar fluxos comerciais – como o uso de unidades produtivas fora do Brasil para atender o mercado americano – tem sido uma resposta eficaz às barreiras tarifárias, preservando volumes e mantendo o Brasil como um fornecedor relevante.

Além da capacidade de redirecionar fluxos comerciais diante de barreiras tarifárias impostas pelos Estados Unidos, o Brasil também poderá se beneficiar do avanço do acordo entre a União Europeia e o Mercosul, ainda que mais timidamente. Embora não seja um acordo de livre comércio pleno, a redução de mais de 90% das tarifas e impostos representa uma abertura significativa para diversificação de mercados.

Os produtos mais sensíveis para a UE, como carne bovina e suína, terão cotas específicas com implementação gradual e tarifas reduzidas, mas o maior destaque vai para o setor de proteína de frango, que contará com uma cota de 180 mil toneladas com isenção tarifária. Além disso, setores como frutas, café, sucos e crustáceos, onde o Mercosul não representa ameaça à produção europeia, estarão livres de cotas e tarifas, o que amplia o potencial de exportação brasileira e, de alguma forma, o do consumo de papelão ondulado no País.

Estima-se que, ao longo do período de implementação, as exportações do agronegócio brasileiro para a Europa possam crescer até 25%, reforçando a posição estratégica do Brasil como fornecedor confiável e competitivo em cadeias globais de valor. Essa abertura, somada à resiliência já demonstrada no setor de papel e embalagens, fortalece ainda mais a capacidade do País de se adaptar e prosperar em um ambiente comercial em transformação.

Em síntese, o Brasil demonstra resiliência na cadeia de papel e embalagens, especialmente em proteínas animais. Sua adaptação estratégica, redirecionamento de fluxos e foco em atributos além do preço posicionam o País como um ator relevante e flexível no novo cenário comercial latino-americano.

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Rafael Barisauskas
Rafael Barisauskas ingressou na Fastmarkets em 2019 como economista para a América Latina, analisando os mercados regionais de celulose, papel e embalagens, além da cobertura econômica para a região. Rafael trabalha com projeções econômicas desde 2013, acumulando um vasto conhecimento em comércio de commodities e organização industrial. Além disso, Rafael também atua como professor universitário de economia na FECAP (Brasil). Ele é mestre em Economia pela universidade KU Leuven, na Bélgica, focando sua pesquisa em análise das cadeias globais de valor na indústria de papel e celulose. Rafael Barisauskas joined Fastmarkets in 2019 as the Latin America economist, analyzing the regional pulp, paper, and packaging markets as well as the local economies. Having worked on economic forecasts since 2013, Rafael has a deep understanding of the global commodities trade and industrial organization. Rafael also works as an Economics Professor at FECAP University (Brazil), and he has a Master's degree in Economics from KU Leuven in Belgium, focusing his research on global value chain analysis in the pulp and paper industry.

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