A força do papel: resiliência e perspectivas do setor de embalagens na América Latina para 2025-2026

Setor de papel para embalagens mostra resiliência e projeta crescimento na América Latina, impulsionado pelo agro, alimentos e exportações sustentáveis

Mesmo diante de um cenário global marcado por incertezas econômicas, tensões geopolíticas e volatilidade cambial, o setor de papel para embalagens na América Latina tem se mostrado surpreendentemente resiliente. Essa resiliência não é fruto do acaso, mas sim de uma base sólida sustentada por dois pilares fundamentais da economia regional: o agronegócio e a indústria de alimentos.

LEIA AQUI O PDF DA COLUNA FASTMARKETS PUBLICADA NA EDIÇÃO DE JULHO DA REVISTA O PAPEL

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A demanda por embalagens de papel, especialmente papéis para corrugar, ou seja, containerboard, segue firme graças à necessidade contínua de transporte e conservação de produtos agrícolas e alimentícios. Já o consumo de papel-cartão, mais correlacionado à indústria alimentícia e à renda das famílias, deve seguir volátil e sujeito a mais riscos.

Apesar da queda nas importações acumuladas de papel para corrugar na região até abril, sobretudo diante das incertezas em relação ao comércio global e possíveis atritos tarifários, projetamos crescimento de 0,4% para o consumo agregado de containerboard na região para 2025, seguido de novo aumento de 2,3% em 2026. Já para papel cartão, a projeção da Fastmarkets é de queda de 0,4% em 2025, seguido de recuperação de igual tamanho em 2026.

Países como Brasil, Chile, Colômbia e México, com forte vocação exportadora, continuam a impulsionar o consumo interno e externo de soluções de embalagem sustentáveis, recicláveis e adaptadas às exigências logísticas do comércio internacional. Nos três primeiros, o agronegócio e a indústria de alimentos seguem como carros-chefe para o consumo de corrugados, ao passo que para o México, exportações de manufaturas se juntam às exportações alimentícias para os EUA como importantes setores demandantes de papel.

Contudo, o setor não está imune a desafios. A concorrência de importações asiáticas, especialmente de papel-cartão da China, pressiona os preços e margens de exportadores brasileiros e chilenos. Já o fornecimento de kraftliner e testliner competitivos, vindos dos Estados Unidos diante de um enfraquecimento do dólar frente às demais moedas globais, surge como entrave para o avanço das exportações brasileiras de kraftliner na região.

A instabilidade política e fiscal na região junto às deficiências logísticas e falta de investimentos em infraestrutura afetam a previsibilidade de novos investimentos em capacidade produtiva da indústria papeleira e de setores consumidores. Além disso, novas exigências ambientais e barreiras comerciais exigem adaptação rápida e estratégica por parte das empresas. Por outro lado, o cenário também apresenta oportunidades claras.

A crescente demanda por embalagens sustentáveis, a digitalização da cadeia logística e a diversificação dos destinos de exportação abrem espaço para inovação, diferenciação e expansão.

Neste contexto, mercados com alto potencial de crescimento como o Peruano diante de inovação tecnológica no campo e aumento nas exportações agrícolas e de alimentos surgem como contrapeso à instabilidade e riscos regionais, puxando para cima o consumo de papel na região, especialmente de containerboard.

Assim, o setor de papel para embalagens na América Latina não apenas resiste às adversidades de mercado, como também se posiciona para crescer, apesar do ambiente desafiador. Com base em fundamentos sólidos e uma visão estratégica voltada à sustentabilidade e à eficiência, a indústria deve seguir firme no biênio 2025-2026, pronta para transformar desafios em oportunidades.

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Rafael Barisauskas
Rafael Barisauskas ingressou na Fastmarkets em 2019 como economista para a América Latina, analisando os mercados regionais de celulose, papel e embalagens, além da cobertura econômica para a região. Rafael trabalha com projeções econômicas desde 2013, acumulando um vasto conhecimento em comércio de commodities e organização industrial. Além disso, Rafael também atua como professor universitário de economia na FECAP (Brasil). Ele é mestre em Economia pela universidade KU Leuven, na Bélgica, focando sua pesquisa em análise das cadeias globais de valor na indústria de papel e celulose. Rafael Barisauskas joined Fastmarkets in 2019 as the Latin America economist, analyzing the regional pulp, paper, and packaging markets as well as the local economies. Having worked on economic forecasts since 2013, Rafael has a deep understanding of the global commodities trade and industrial organization. Rafael also works as an Economics Professor at FECAP University (Brazil), and he has a Master's degree in Economics from KU Leuven in Belgium, focusing his research on global value chain analysis in the pulp and paper industry.

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