Tanto a coleta quanto o consumo de aparas de papel estão normalizadas e, sem a ocorrência de fatores que provocam desequilíbrios, a tendência é que os seus preços se estabilizem nos próximos meses. A grande questão é saber o que acontecerá com nossa economia com o governo adotando medidas de aumento nos impostos que, normalmente, reduzem a atividade econômica, mas, por outro lado, a inflação brasileira está controlada, ainda que, na visão de alguns economistas, seja um controle artificialmente provocado pelo governo, com medidas como, por exemplo, a redução no preço dos combustíveis.
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Fato é que esta redução na inflação, aliada à forte injeção de recursos financeiros na mão da população, tende a provocar aumento do consumo com benefícios ao mercado de embalagens.
No front externo, além dos problemas advindos da guerra na Ucrânia e das confusões impostas pelo governo norte-americano com as idas e vindas na sua política tarifária, temos, agora, uma possível nova guerra com os ataques israelenses ao Irã que já estão provocando alta nos preços do petróleo, de consequências difíceis de mensurar, mas sempre nefastas.
As novas tarifas impostas pelo governo Trump, aparentemente, estão beneficiando o papel para embalagens brasileiro, e as exportações de kraftliner, em maio, foram de 50,1 mil toneladas, com um aumento de 26,0% em relação a abril e de 50,9% em relação ao mesmo mês de 2024, um volume que só foi ultrapassado em abril e junho de 2022.
Infelizmente, o valor médio dessas exportações, conforme divulgado pela Secex, de US$ 603 a tonelada, não é muito satisfatório, mas, sem dúvida, tira do mercado interno o excesso de papel de fibra virgem originado com os projetos de expansão da Smurfit WestRock e da Klabin, normalizando a participação do papel reciclado na composição da caixa de papelão nacional.
Já a celulose que, como sabemos, impacta a apara branca de 1ª, não vive o mesmo bom momento do kraftliner em suas exportações. Na Europa até consegue manter seu valor, mas na China encerrou maio cotada a US$ 551,31 a tonelada, com uma queda de 7,8% em relação a abril, e a perspectiva é que chegará a um valor perto de US$ 500 a tonelada nos próximos meses. No mercado interno, a valorização do real também prejudica a fibra curta que, com preço menor e alta disponibilidade, vem tirando o mercado da apara de papel de imprimir e escrever.
Mesmo com o forte incentivo governamental ao consumo, a indústria nacional está perdendo força, como mostram os dados de abril, que registraram uma queda de 0,3% em relação ao mesmo mês do ano anterior e, no caso dos bens de consumo, que é indicativo para o desempenho das embalagens, a queda foi de 4,2% no período considerado.
Nos demais comparativos — mês contra mês anterior, acumulado no ano até abril e nos últimos 12 meses até abril — o desempenho da indústria continua positivo, mas mostrando enfraquecimento. Na verdade, estamos observando que, enquanto o governo estimula o consumo, o banco central, preocupado com as taxas inflacionárias, mantém os juros altos, procurando reduzir a atividade econômica — o que deixa o cenário incerto para os próximos meses.
Se a indústria está perdendo força, não observamos a mesma tendência no comércio, em que o volume de vendas, na média dos dez setores acompanhados pelo IBGE, registrou um crescimento médio de 4,8% no comparativo interanual dos meses de abril, sendo que quatro setores ficaram no campo negativo e, entre eles, como sempre, os livros, jornais, revistas e papelarias, com desempenho ruim já há muitos meses. Os hipermercados e supermercados, que impactam a geração de aparas marrons, foram o setor com o terceiro melhor desempenho, registrando uma evolução de 7,0% em seu volume de vendas no período analisado.
O governo continua injetando recursos na economia. Contudo, após incrementar os programas de renda, antecipar o 13º dos aposentados, criar incentivos para empréstimos, está perdendo repertório e, principalmente, ficando sem recursos.
Ainda segundo o IBGE, no acumulado do primeiro quadrimestre de 2025, o volume de vendas no comércio por estados está 2,1% acima do verificado em igual período de 2024, com quatro estados no campo negativo e, entre eles, o Rio de Janeiro, que é um dos grandes geradores de aparas e onde as vendas tiveram uma queda de 2,2% no período considerado — um problema que se agrava quando consideramos que o Rio de Janeiro é um fornecedor de aparas para outros estados, pois gera mais do que as suas indústrias consomem.
O mês de maio está indicando o início da estabilização nos preços das aparas marrons e, eventualmente, o início de um ciclo de queda, e é interessante observar que a tendência nas aparas brancas vai em sentido inverso, com fortes altas nos meses recentes. Neste mesmo mês, o ondulado I e II foram comercializados por, em média, respectivamente, R$ 1.390,71 e R$ 1.279,16 a tonelada fob depósito, com queda de 1,6% no primeiro e alta de 3,4% no segundo.
Entretanto, é importante observar que o mercado de aparas ainda se manteve aquecido no mês de maio, e a queda registrada no ondulado I foi em função do preço anormalmente alto que registramos em abril, com alguns fabricantes, em busca de melhor qualidade, pagando até R$ 1.600,00 a tonelada do produto.
O mercado de caixas de papelão ondulado, após ensaiar uma recuperação em março, voltou ao campo negativo, registrando, na comparação interanual dos meses de abril, uma queda de 3,6% e um volume de 340,0 mil toneladas expedidas e, com esse resultado, a expedição acumulada nos primeiros quatro meses do ano ficou em 1,3 milhão de toneladas, com volume 1,4% inferior ao registrado em igual período de 2024.
O governo continua incentivando o consumo interno, mas, aparentemente, os resultados não se fazem sentir, e a nova projeção de um crescimento de 2,0% na expedição de caixas torna-se mais difícil de acontecer, mesmo considerando que o melhor período para a expedição de caixas ocorre no terceiro e quarto trimestre.
O papel miolo encerrou o mês de maio cotado por, em média, R$ 4.795,31 a tonelada com impostos, com um reajuste de 0,9% em relação ao mesmo mês de 2024, o que foi o 17º mês seguido em que o papel melhorou sua cotação, mas, apesar desta sequência de aumentos, seus fabricantes ainda dizem que não foram suficientes para a recuperação de suas margens, principalmente se considerarmos que, além dos altos preços das aparas, outros itens de custo, como produtos químicos, salários e frete, também registraram fortes aumentos.
Destinadas basicamente a países da América Latina, as exportações dos papéis miolo e testliner não tiveram os benefícios do kraftliner em função das tarifas impostas pela China e pelos países europeus aos produtos americanos. Porém, ainda assim, as 4,8 mil toneladas exportadas em maio representaram um aumento de 32,0% em relação ao mês de abril. Já as importações, após um volume atipicamente alto em janeiro, estão voltando para o patamar histórico de menos de 1.000 t/mês e, em maio, atingiram o volume de 846 toneladas.
O alto valor das aparas marrons permitiu aos seus comerciantes misturarem aparas brancas e, principalmente, cartolina nas aparas de papelão ondulado, desequilibrando o mercado e levando a uma menor oferta desse material, o que resultou em aumento de preços também em outros tipos de aparas, em que pese não termos observado nenhum fato novo que tenha estimulado sua demanda. Em maio deste ano, foram comercializadas por, em média, R$ 2.753,75, R$ 1.450,00 e R$ 1.030,00, com reajustes em relação ao mês anterior de 4,0%, 11,1% e 12,0%, respectivamente para a branca de 1ª, II e III.
Da mesma forma, a cartolina registrou bons aumentos, encerrando o mês de maio comercializada por, em média, R$ 1.010,00 a tonelada fob depósito, com um reajuste de 28,8% acumulado nos cinco primeiros meses do ano, enquanto os dados da IBÁ indicam que a produção de papelcartão sofreu uma queda de 6,1% no comparativo do primeiro trimestre de 2025 frente a igual período de 2024.



