Cenário aponta para a economia brasileira de mãos dadas com o desempenho do mercado de aparas em 2025

O ano se encerra e os indicadores da economia já se mostram sem grandes possibilidades de mudanças. A economia desacelerou no segundo semestre, devido à alta taxa de juros, e o consumo das famílias se manteve, com inflação controlada perto do teto da meta, mas com sinais de estagnação industrial que podem ditar o primeiro trimestre do próximo ano.

LEIA AQUI A COLUNA MAPA.SA PUBLICADA NA EDIÇÃO DE DEZEMBRO DA REVISTA O PAPEL E CONFIRA TODOS OS GRÁFICOS E TABELAS.

Notícia continua após o anúncio
O mês de outubro de 2025 manteve a trajetória registrada em setembro deste ano, reforçando a continuidade de um cenário de estabilidade no mercado de papéis e aparas. A atividade econômica seguiu em ritmo moderado, com indicadores que, em sua maioria, não apresentaram mudanças significativas, o que contribuiu para a manutenção do equilíbrio entre oferta e demanda no setor.

Na indústria nacional, os resultados continuam alinhados com o comportamento observado ao longo do segundo semestre. Em outubro último, o setor registrou variação de 0,1% no comparativo interanual, mantendo desempenho semelhante ao do mês anterior.

Entre os bens de consumo, grupo que serve como referência para o uso de embalagens à base de papel, a variação foi de 1,1% na mesma base de comparação, também consistente com os movimentos recentes. No acumulado do ano, a indústria segue com leve avanço, refletindo variações positivas de 0,8% no ano e 0,9% nos últimos 12 meses.

No comércio, o volume de vendas apresentou crescimento moderado de 1,1% em relação a setembro, seguindo a média dos dez setores acompanhados pelo IBGE. Entre os segmentos que influenciam diretamente a geração de aparas, destacaram-se os ramos de livros, jornais, revistas e papelaria, que avançaram 0,9% no mês, além de hipermercados e supermercados, com alta de 0,7%.

O setor de equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação também registrou desempenho positivo, com aumento de 8,1%. Esses grupos, tradicionalmente associados ao consumo de produtos embalados em papel e à formação de resíduos recicláveis, contribuíram para o movimento de leve melhora observado em outubro.

No acumulado do ano, as vendas do comércio seguem 1,5% acima do registrado no mesmo período de 2024. Entre os estados com maior geração de aparas, o Rio de Janeiro ainda apresenta recuo de -2,0%, enquanto Rio Grande do Sul e Minas Gerais registram desempenhos superiores à média nacional, com crescimentos de 2,8% e 1,6%, respectivamente. São Paulo, principal polo gerador do País, permanece estável, com variação positiva de 0,5%, porém abaixo do índice nacional.

O mês de novembro deste ano manteve a tendência já observada em outubro, mês anterior, reforçando um comportamento atípico para o período, que historicamente costuma apresentar maior dinamismo em função da sazonalidade de fim de ano. Mesmo assim, o setor seguiu sem o aquecimento tradicional, influenciado principalmente pelo elevado nível de oferta e pelos estoques altos ao longo da cadeia.

Nas aparas marrons, os preços registraram nova retração. O ondulado I foi negociado em média a R$ 1.157,88 por tonelada FOB depósito, queda de 2,4% em relação ao mês anterior, enquanto o ondulado II encerrou novembro a R$ 1.016,32, redução de 5,0% no mesmo período. A continuidade das quedas reforça o excesso de oferta disponível no mercado, mas o movimento atual indica aproximação de um patamar de estabilização. Grande parte dos recicladores e indústrias já opera com estoques elevados, o que tende a reduzir a demanda por materiais marrons no curto prazo, mesmo com os preços recuando.

Nas aparas brancas, o mês trouxe oscilações mais intensas do que as registradas ao longo de boa parte do ano. A branca I manteve estabilidade, negociada em média a R$ 2.584,50 por tonelada FOB depósito, enquanto a branca II apresentou alta de 5,1%, atingindo R$ 1.533,33. A branca III registrou a valorização mais expressiva, com avanço de 10,5%, sendo comercializada a R$ 1.192,97.

A expedição de caixas e chapas alcançou 391,4 mil toneladas em outubro de 2025, mantendo o ritmo moderado observado nos meses anteriores. O volume representa uma variação de 0,1% em relação ao mesmo mês de 2024, indicando um cenário ainda marcado por estabilidade e pela oferta elevada de embalagens no mercado. O comportamento reforça que, mesmo entrando no último bimestre, período que tradicionalmente apresenta maior atividade, o setor segue operando com cautela, sem sinais de aceleração mais significativa na demanda.

As exportações de kraftliner recuaram em novembro último, totalizando 34.429 toneladas, após o desempenho excepcional do mês anterior. Mesmo assim, o ano de 2025 se consolidou como um marco histórico: o setor já contabiliza 469.827 toneladas exportadas até novembro, podendo ultrapassar o volume histórico de exportações, que foi de 511.446 toneladas, registrado em 2006. Além disso, a média mensal de exportações do ano atingiu 42.711 toneladas, 18% acima da média mensal observada em 2024, evidenciando a crescente relevância do Brasil no fornecimento de kraftliner ao mercado internacional.

O mercado de papel miolo apresentou em 2025 um comportamento muito semelhante ao observado nas aparas marrons. O ano começou mais movimentado, com preços elevados e maior oscilação, refletindo um início de ciclo mais intenso na demanda e nos custos industriais. O material atingiu seu ponto máximo em junho, quando o miolo foi negociado, em média, a R$ 4.886,74 por tonelada, o maior valor do ano.

A partir do segundo semestre, o movimento se inverteu: assim como ocorreu com o ondulado I e II, os preços passaram a recuar de forma contínua, acompanhando o arrefecimento da atividade e o aumento gradual dos estoques na cadeia produtiva. Entre julho e novembro deste ano, o miolo registrou queda quase ininterrupta, chegando a R$ 4.459,94 no fechamento de novembro.

Esse comportamento de pico no meio do ano, seguido de desaceleração, alinha-se diretamente com a trajetória das aparas marrons, reforçando a leitura de um mercado que, após maior pressão no início do ano, passou a operar em ambiente de maior oferta e menor necessidade de recomposição de estoques, levando os valores a um patamar de estabilização na reta final de 2025.

Últimas Notícias

Irani anuncia construção de duas plantas de embalagens e uma nova máquina de papel

Com Plataforma Neos, companhia mira dobrar market share em papelão ondulado, de 4% para 8%, apoiada em proteínas, e-commerce e embalagens sustentáveis

A Engenharia como aceleradora da descarbonização industrial

A indústria de papel e celulose brasileira reúne características que a colocam em posição privilegiada para avançar na agenda de descarbonização

Suprema Corte dos EUA derruba tarifas recíprocas de Trump e impõe limites ao uso de poderes emergenciais na política comercial

Decisão retira sobretaxas aplicadas ao Brasil sob a IEEPA, mas mantém tarifas baseadas em outros instrumentos legais.

Branded Contents

Swan do Brasil destaca inovação e confiabilidade em instrumentação analítica para o setor de celulose e papel

A instrumentação analítica Swan contribui diretamente para a otimização de processos

Fiedler Automação Industrial apoia projeto na Klabin e contribui para redução de 52% na perda de vapor em Telêmaco Borba (PR) 

Iniciativa na Unidade Monte Alegre da Klabin envolveu inspeções na rede de vapor e aplicação de soluções integradas para ganho de eficiência

Compartilhar

Newsletter

Mantenha-se Atualizado!

Assine nossa newsletter gratuita e receba com exclusividade notícias e novidades

Mais Colunas