Há uma adequação da embalagem ao seu conteúdo. À embalagem, no entanto, cabe se adequar, também, a outras circunstâncias presentes no uso durante todo o seu ciclo de distribuição. Uma embalagem, para um mesmo tipo de produto, porém produzido por diferentes fabricantes, pode não ter a mesma especificação.
Como chega o conteúdo às mãos do consumidor final é responsabilidade da embalagem e, também, do tratamento que a embalagem recebe durante todo o seu ciclo de distribuição. Falamos sempre aqui, nos referindo à embalagem de papelão ondulado, que é o tipo sempre objeto destes artigos que aqui escrevemos.
Alguns aspectos observados pelos projetistas quanto ao conteúdo e que orientam a especificação e mesmo o modelo da embalagem:
PESO – Normalmente, orienta quanto à resistência do papelão ondulado usado para a fabricação da embalagem. O papelão ondulado tem uma gama grande de possibilidades de composições que podem oferecer resistência adequada e relacionada à composição dos diferentes papéis/cartão/miolo que podem ser combinados na composição. Ainda, diferentes tipos de papelão ondulado podem ser fabricados selecionando o tipo ou os tipos de ondas a serem usadas. Essa gama vai desde o tipo face simples (FS), passando para a parede simples (PS), parede dupla (PD), parede tripla (PT) e mesmo parede múltipla (PM). Na Regra 41 americana há referência quanto ao peso do conteúdo da caixa para indicar a resistência do papelão ondulado a ser utilizado na embalagem de papelão ondulado.
DIMENSÕES – Na Regra 41, dimensões (C+L+A), juntamente com o peso do conteúdo, são um critério considerado. As dimensões também são observadas pelos projetistas quando determinam a qualidade do papelão ondulado, independentemente dos critérios especificados na regra citada acima. Uma embalagem de dimensões 100x100x100 (mm), por exemplo, não seria fabricada numa qualidade parede dupla, a menos que condições especialíssimas o sugerissem.
FRAGILIDADE – Conteúdos muito frágeis podem exigir preocupações dos projetistas quanto ao acolchoamento, por exemplo. Isso levaria, como é comum, ao uso de acessórios internos (uma divisão para separar unidades do produto – caso de garrafas para bebidas, por exemplo). Podemos considerar aqui até mesmo produtos não autossustentáveis que precisam de proteção extra para que cheguem totalmente protegidos às mãos do consumidor final. Em alguns desses produtos, até mesmo um head space pode ser a solução.
PRODUTOS AUTOSSUSTENTÁVEIS – Em muitos desses casos, a embalagem funciona como unidade de venda ou unidade para transporte, isto é, acondicionam certa quantidade de unidades do produto que é comercializada entre produtor/fabricante e distribuidor. Este vende o produto por unidades aos seus clientes (é o caso dos supermercados, por exemplo). Produtos comercializados em embalagens primárias, como garrafas e latas, pertencem a essa categoria. Podem não exigir uma alta qualidade de papelão ondulado, mas necessitam que este tenha capacidade de retenção do conteúdo em todos os manuseios durante seu ciclo de distribuição.
NÃO AUTOSSUSTENTÁVEIS – São mais exigentes. Sua embalagem é totalmente responsável pelas funções de retenção, resistência à compressão e proteção durante todo o período de movimentação (manuseio e transporte) da embalagem. Até mesmo um head space pode ser objeto de estudo durante o desenvolvimento da embalagem.
UMIDADE – Produtos que serão armazenados durante certo período em câmaras frias exigirão uma embalagem resistente à umidade; o papelão ondulado precisará de tratamento adequado para tal situação. Estão nessa categoria frutas, hortaliças e carnes. As embalagens para tais produtos, no caso de frutos, por exemplo, podem exigir furos para ventilação, pois o amadurecimento dos frutos elimina gases que não devem ser retidos dentro das embalagens.
TEMPO DE ARMAZENAMENTO – Aqui, o aspecto está mais relacionado com o tempo entre a colheita (é o caso das frutas) e exigências relativas ao tempo de fabricação, distribuição e venda dos produtos: meses ou até mesmo anos. Não é propriamente uma exigência do conteúdo à embalagem que o retém durante o armazenamento.
O projetista da embalagem de papelão ondulado, ao definir a qualidade do material e o tipo/desenho da embalagem, precisa analisar outros aspectos para definir a especificação final que atenderá a todas as exigências, incluindo aquelas relativas às situações encontradas durante o ciclo de distribuição das embalagens e dos produtos que transportam.
Há produtos cujos danos afetam a comercialização e até mesmo o preço de venda. Este é um aspecto que precisa ser bem analisado pelo produtor/fabricante, e é o que se observa quando chega às mãos do consumidor final.
LEIA AQUI O ARTIGO EMPAPEL PUBLICADO NA EDIÇÃO DE SETEMBRO DA REVISTA O PAPEL



